A TV na era Pós-televisão
“Assistir TV” é bastante simples quando analisada do ponto de vista do espectador, já pelo lado dos anunciantes a coisa não é bem assim. Pelo contrário, a cada dia é mais difícil e complexo o processo de medição de audiência (honesta).
Quando falamos em assistir TV, não podemos deixar de levar em conta algumas observações:
1. Nós não paramos mais para assistir TV, vivenciamos ela a cada momento do nosso dia-a-dia;
2. Nós não apenas assistimos TV em uma grande “caixa”, mas em praticamente todos os dispositivos conectados, até os pequenos;
3. Nós não apenas assistimos TV ao vivo, mas também na retransmissão legal ou ilegal de programas já exibidos;
4. Assistir TV deixou de ser um caso doméstico ou familiar e passou a ser uma atividade em rede entre os indivíduos socialmente conectados.
Para ver como os novos hábitos de “uso” impactam no nosso comportamento de visualização, os institutos de pesquisa de audiência deveriam levar em conta todas estas definições. Infelizmente, isso é impossível de fazer com os métodos de medição existentes, porque eles isolam estas diferentes formas de usos, a fim de obter verdade - ainda que parcial - de dados.
O melhor exemplo de que é preciso olhar de uma forma diferente para isso vem dos Estados Unidos: uma análise de uso de banda mostra que o Netflix, serviço de vídeo on-demand disponível por assinatura em diversas plataformas (disponível também no Brasil), consome quase 30% da banda de Internet disponível no país. Esta percentagem é de assustar qualquer canal de TV, principalmente aqueles mais tradicionais que ainda não estão retransmitindo seu conteúdo nos meios online.
Essa tendência tende a se estender rapidamente em todo o mundo com a explosão global de multitelas, ou multiplataformas, pois seu uso permite que as pessoas possam desfrutar de uma experiência de visualização enriquecida, interativa e social. Além disso, como muitos programas estão se tornando eventos em si, essa experiência multicanal e multisocial estão ocorrendo antes, durante e depois da exibição do programa.
Na Europa, cerca de 49% das pessoas surfam na web enquanto assistem TV, ou seja, a atenção dada ao conteúdo que é transmitido na TV “tradicional” sofre uma grande perca de atenção, o que não é apontado nos índices de medição tradicional de audiência.
Um relatório feito pela Forrester Research, e publicado pelo site AdAge revela que os sites de mídias sociais e vídeos online contam com mais audiência do que a TV no Brasil. Hoje, a adoção da web como principal meio de informação e entretenimento é de 48%, e a previsão é que em 2016, esse número alcance a marca de 57%.
Tanto os meios de televisão atuais, como as medições de audiência da web, não permitem uma apuração eficiente destes novos fenômenos de comportamento que se sobrepõem. Serviços como Netflix e Crackle – este último com exibição de filmes gratuitamente – nem sequer estão classificados entre os dez maiores sites de vídeo online dos EUA, segundo relatório da comScore, instituto que mede a audiência online no país.

No Youtube 60 horas de vídeos são publicados a cada minuto, com mais de 4 bilhões de visualizações por dia. Mais vídeos foram enviados para o YouTube em um mês do que a quantidade de vídeos produzidos pelas três principais emissoras dos EUA em 60 anos. Com 10% de seu conteúdo em HD, o YouTube para celular recebe mais de 600 milhões de visualizações por dia, e o tráfego a partir de dispositivos móveis triplicou em 2011.
Para as grandes marcas, o YouTube já é uma excelente opção de investimento de mídia: 98 dos 100 principais anunciantes do AdAge geram campanhas no YouTube e na Rede de Display do Google.
Alguns números que os institutos de medição de audiência tradicionais não consideram:
1. Em 2011, o YouTube teve mais de 1 trilhão de visualizações, ou quase 140 visualizações para cada pessoa na Terra;
2. 500 anos de vídeo do YouTube são assistidos todos os dias no Facebook e mais de 700 vídeos no YouTube são compartilhados no Twitter a cada minuto;
3. Um tweet compartilhado automaticamente resulta em seis novas sessões no youtube.com.br em média, e ocorrem mais de 500 tweets por minuto que contêm um link para o YouTube;
4. Mais de 50% dos vídeos no YouTube são avaliados ou incluem comentários da comunidade.
Essa alteração no comportamento de como assistir TV ainda não está chegando nos relatórios oficiais de audiência, com isso o número médio de horas gastas assistindo TV “tradicional” continua a sendo maior do que a exibição online.
Mas se conseguíssemos olhar esta medição de uma forma integrada, levando-se em consideração todo esse novo cenário de consumo de conteúdo de vídeo, com certeza não teríamos as grandes emissoras de TV tradicionais como líderes de audiência – e consumidoras da maior fatia do bolo da verba publicitária. Essa realidade está perto de ser mudada e está próxima de ser mensurada de uma forma mais integrada – e justa, e quando isso acontecer os anunciantes serão obrigados a dividirem os investimentos em diferentes plataformas de exibição.
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2 Responses to “A TV na era Pós-televisão”
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Não é o fim, mas a revolução do broadcasting. É o Minority Report da vida real. Eu ainda acho que as projeções estão aquém do verdadeiro resultado deste novo cenário, visto que a smartv ainda não é tão popular quanto o smartphone. Novo equipamentos tendem a catapultar e muito a penetração desta forma de consumir a televisão.
Esse artigo fala bem! Hoje a maioria das pessoas estão na internet enquanto veem TV, e a interação delas com os programas é muito grande. Principalmente em relação aos esportes.